Propósito de vida, como descobrir o meu?

Propósito de vida

Vários estudos concluíram que a maior parte das pessoas considera o seu trabalho meramente um emprego ou obrigação ou uma carreira, um degrau em direção a outra coisa. Em 2017 apenas 15% da população mundial se sentia envolvida no seu emprego. Afinal, como descobrir o meu propósito de vida?

São poucas as pessoas que sentem que o que fazem é importante não só para si, mas também para os outros. Aliás, ter esse sentimento é ter um propósito de vida. E as pessoas que têm um propósito de vida têm muito mais garra para enfrentar as adversidades e sentem-se muito mais satisfeitas com o seu trabalho e felizes com a sua vida em geral. 

Esses mesmos estudos também concluíram que a maioria das pessoas gostaria de ter um propósito de vida. É o teu caso? Então, deixa-me desmistificar o que é um propósito de vida.

Vamos desmistificar o propósito de vida

Ao contrário do que se pensa, o propósito de vida não é algo que se descobre magicamente de um momento para o outro. De fato, não estás na tua vida e, de repente, tens uma luz e encontras o teu propósito de vida. Isso é o que acontece nos filmes, não é a realidade.


Assim, o propósito de vida está relacionado com a vocação e também não é algo que se descubra ou que se nasça com. Tanto a vocação como o propósito de vida, são coisas que se constroem, com tempo e dedicação e têm muito mais a ver com a maneira como pensas no trabalho que fazes, do que com o trabalho em si.

Está provado que qualquer trabalho, sim, qualquer trabalho, pode ser um propósito de vida.

Qualquer trabalho pode ser um propósito de vida

Há uns meses atrás, conheci um senhor que trabalha no desentupimento de canos e, acredita, esse era o seu propósito de vida. Eu mesma estava incrédula!!! O trabalho dele incluía enfiar-se em esgotos para ver onde estava o problema! E enquanto eu fazia cara de nojo e quase fugia, o senhor estava super sorridente a entrar pela caixa de saneamento dentro e achava mesmo divertida a minha reação. Tinha orgulhosamente a alcunha de “Rato de esgoto” e dizia que era o melhor no que fazia e que gostava de fazer aquilo, porque a maioria das pessoas não o queria fazer e era um trabalho importante. Na realidade, foi espantoso conhecê-lo!

Como é que se constrói o sentimento de propósito de vida?

Foto de Vlada Karpovich no Pexels

Por isso, se qualquer trabalho pode ser uma vocação e um propósito de vida, como é que se constrói o sentimento de que é aquilo mesmo que queremos fazer? Porque é um trabalho que tem importância não só para nós, mas para os outros? Bill Damon, da Universidade de Stanford indica 4 passos para lá chegares.

1 – Ter um interesse

Em primeiro lugar, para começares a construir esse caminho é garantires que o teu trabalho está relacionado com algo que te interesse. Se não é o caso, pensa no que te interessa. Se estiveres sem ideias, pensa no que te costumava interessar quando eras mais novo e começa a explorar, a experimentar.

À medida que vais explorando interesses e te vais aprofundando num ou outro, vais descobrir que haverá algo em que, em vez de te fartares e passares para algo novo passado um tempo, começas a querer descobrir mais e mais e a perceber tudo o que ainda não sabes sobre esse assunto. Quando souberes o que te interessa, arranja uma forma de juntar isso ao teu trabalho, seja o atual ou um novo.

2 – Tem um modelo de inspiração 

Arranja um modelo de alguém que tem um propósito de vida, conheças pessoalmente ou não, para perceberes como é viver assim, como é estares feliz por trabalhar e por fazeres a diferença e como é estares disposto a fazer sacrifícios e a trabalhar mais, porque o que fazes é mesmo importante.

3 – Identifica um problema

A determinada altura, na exploração do teu interesse, vais identificar um problema no mundo que precisa de ser resolvido.

4 – Faz a tua parte para resolver esse problema

Vais perceber que tu podes ter parte ativa na resolução desse problema, que, tal como a pessoa que te inspira pelo seu propósito de vida, tu também podes ajudar os outros com o que fazes, e que esse pode ser o teu propósito de vida.

Ou seja, é um processo. É através da exploração dos teus interesses, na prática, experimentando mesmo e não só imaginando, que podes acabar por te deixar envolver de tal forma com alguma coisa, que vais querer fazer mais e mais. Depois vais começar a pensar em como é que isso ajuda as outras pessoas e vais perceber que o teu trabalho importa. Isso vai fazer-te sentir bem e orgulhoso do trabalho que fazes.

Por fim, vais ter construído o teu propósito de vida!

É uma escolha

Teres um propósito de vida não quer dizer que tens de adorar todos os momentos, que não vais ter de fazer coisas chatas e que não vai haver partes do que fazes que nunca vais gostar ou que tudo vai ser fácil. Quer dizer que vais estar disposto a fazer tudo isso, porque sabes que o que fazes é importante e te apaixona!

Afinal, podes passar de sentir que o teu trabalho é uma mera obrigação, para achar que é um degrau a caminho de algo mais e para o sentimento de que é o teu propósito de vida, sem mudares o tipo de trabalho que fazes. Tudo tem a ver com a forma como encaras o que fazes, mais do que com a atividade em si, como vimos. 

Como é que o teu trabalho pode ser o teu propósito de vida?

Responde a esta pergunta:

Qual é o impacto do teu trabalho na sociedade?

A resposta vai muito além do que possas pensar. Por exemplo, quem trabalha na restauração alimenta, fala ou envia comida embalada para as pessoas. Afinal, tem o poder de melhorar o dia dessas pessoas, de as fazer lembrar a comida das avós ou a comida que comeram numa viagem… Tem o poder de fazer a pessoa sentir-se especial e de alegrar-lhe o dia pela maneira como atende, como serve a comida no prato, como manda uma mensagem especial na embalagem que vai para casa. E essas pessoas que recebem a comida, vão depois estar mais bem dispostas para fazer melhor os seus trabalhos e serem mais produtivas.

Todos os nossos trabalhos têm impacto na sociedade e todos têm este um “efeito borboleta”.

Agora que paraste para pensar no impacto que o teu trabalho tem na sociedade, mudou alguma coisa na maneira como te sentes em relação a ele? Melhorou alguma coisa?

Pode ter ajudado e ainda assim estares a pensar: “sim, mas continuo a não ter vontade de fazer aquelas tarefas chatas que tenho para fazer.” E aí o que eu pergunto é:

Há alguma coisa no teu trabalho que gostes?

Imagem de StockSnap por Pixabay

Faz uma lista de pelo menos 5 coisas que gostes no teu trabalho. Pode ser os colegas, ambiente de trabalho, lidar com clientes, aprenderes coisas novas, etc. Refletindo agora no que gostas, pensa em como podes fazer um pouco mais disso diariamente. Às vezes bastam ligeiras mudanças.

Estas 2 questões ajudaram-te a focar nos aspetos positivos do teu trabalho. Quanto mais te focares nas partes que gostas e na diferença que fazes no mundo, mais fácil será gostares do que fazes e quereres melhorar cada vez mais.

Ainda assim, se após uns meses nada mudar para ti ou se fores mesmo incapaz de pensar nalguma coisa boa do teu trabalho, podes ter chegado ao momento de procurar algo diferente.

Por fim, podes também ler o artigo que saiu a semana passada sobre como o coaching te pode ajudar a arranjar emprego. Lê aqui!